Trânsito, corruptelas e fiscalização

Vi na internet, ontem, o vídeo em que um apresentador de programa policialesco, que vai ao ar no Nordeste, ameaça atropelar e matar a tiros todos os agentes de trânsito de Mossoró. Ele fez isso porque foi multado quando fazia uma infração nas ruas da cidade.

Por Márcio Noronha* para o Portal D24AM

Paralelamente, aqui em Manaus, ganha força a ideia de que os novos ‘corujinhas’ e a contratação de 500 novos agentes de trânsito para a cidade formarão uma máquina de arrecadação pública. “Um absurdo. Um exército pra arrancar dinheiro da população”, disse um conhecido dia desses.

Esses dois fatos me fazem perguntar: se a pessoa é bom motorista e cumpre a lei de trânsito, pra quê tanto receio e revolta?

O vídeo que mencionei é de uma grossura abissal. O apresentador agride a classe dos agentes de trânsito e diz que eles usam as multas para atacar ‘cidadãos indefesos’. Em outra entrevista, o tal apresentador disse que todo mundo pode cometer erros e que isso não é motivo para os agentes saírem multando os motoristas. Se levarmos esse pensamento ao pé da letra, todo mundo tem o direito de cometer um ‘crimezinho’, pelo menos uma vez na vida.

Em Manaus, os ‘crimezinhos de trânsito’ fazem parte do cotidiano de todo mundo, a toda hora, em qualquer lugar. A banalidade das infrações já faz parte da cultura, a tal ponto das pessoas se sentirem ofendidas, perseguidas e ameaçadas quando se começa a fiscalizar o simples cumprimento das leis de trânsito.

A democracia brasileira é baseada numa Constituição em que é vedado o desconhecimento das leis. Da mesma forma, todo cidadão condutor passou por uma escola de formação antes de conseguir sua carteira de motorista. Logo, conclui-se que se conhece a lei e a desrespeita o faz conscientemente. É duro, mas tem que ser assim.

Sou a favor da fiscalização severa no trânsito, desde que os agentes sejam bem treinados e as máquinas ajustadas. É preciso acabar com essa falsa ideia de que no trânsito uma corruptela aqui e outra ali não faz mal a ninguém. Faz mal à sociedade e todos sofremos com isso, uma hora ou outra.

* O autor é jornalista e editor do portal de notícias D24AM

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