Diariamente morrem 23 motociclistas em acidentes no Brasil

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

O aquecido mercado de motocicletas do país trouxe na garupa um cenário sinistro. O crescimento do número de acidentes que envolvem veículos de duas rodas foi maior até que o de vendas de motocicletas. Dados do Ministério da Saúde estimam que em 2008 mais de 8 mil motociclistas morreram no trânsito brasileiro, impressionantes 1.031% a mais que os 725 óbitos de 1996. Outras estatísticas são tão alarmantes quanto. Estudos do Hospital das Clínicas (de São Paulo) dizem que, em média, 23 pessoas morrem em acidentes com motocicletas por dia no país, enquanto outras pesquisas dão conta que esse número já ultrapassa 30 a cada dia e que, só na cidade de São Paulo, são duas mortes a cada 24 horas. Isso tudo sem falar em amputados e os que ficam com seqüelas permanentes. A presença maciça da moto é uma novidade no trânsito e isso exige uma preparação tanto entre os usuários como entre os novos motociclistas, que muitas vezes têm a moto como primeiro veículo.

Esta verdadeira epidemia, como é tratada a novidade do já violento trânsito brasileiro, se espalhou, inclusive, em um ritmo mais acelerado que o próprio mercado. No mesmo período, segundo dados da Abraciclo entidade que reúne os principais fabricantes , houve um crescimento de 583% nas vendas de motocicletas no país. Ou seja, as motos ficaram frequentes no cotidiano do trânsito. E os acidentes se tornaram ainda mais comuns. Culpa, para muitos, da imprudência. É comum ver motociclistas com capacetes mal colocados ou costurando pelos carros engarrafados. Isso sem falar nos corredores entre os carros, onde muitos transitam a velocidades altas. A coisa se complica porque surgiram profissões, como a dos chamados motoboys ou motofretistas, que têm na agilidade do trânsito um diferencial. Mas a imprudência e a falta de respeito de motoristas de automóveis e comerciais leves eleva a tensão no trânsito. Ainda há a pressão de prazos e entregas por parte das empresas e aí o condutor parte para aquela negligência e imprudência. Além do motorista, que é impaciente e não respeita o veículo de menor porte. É uma bola de neve, pontua Dirceu Rodrigues Alves, diretor da Abramet Associação Brasileira de Medicina de Tráfego.

A pressão por prazos deixa em evidência uma questão social do universo de motos. Executivos do setor concordam que o mercado de duas rodas cresceu na fuga do usuário do transporte público e encontrou nas prestações da compra de motos um valor parecido com o dinheiro gasto nas passagens. Outro fenômeno que surgiu recentemente é o dos mototaxistas. Um grande número de pessoas que não consegue emprego descobriu que ser motofretista pode ser a salvação da lavoura e um gerador de renda. Só que grande parte não recebe qualificação para ser motofretista, com senso de respeitabilidade e de civilidade no trânsito. E obviamente se atirou nesse campo, acredita J. Pedro Corrêa, especialista em segurança no trânsito e membro do Programa Volvo de Segurança no Trânsito, PVST.

Outro ponto importante é o da estrutura das vias. Ruas e avenidas das grandes cidades geralmente apresentam grandes riscos aos motociclistas. Além da péssima qualidade da pavimentação nas metrópoles, é comum encontrar grandes taxas dividindo as faixas de rolamento e chapas de aço liso para cobrir buracos, que acentuam o risco de quedas. Ao mesmo tempo, a chamada sinalização horizontal, como faixas de pedestres, é feita, em geral, com tinta de baixo atrito, que facilita a derrapagem, principalmente em dias de chuva. Nem mesmo o guard rail é pensado para as motos. Eles são feitos com partes cortantes que podem ferir gravemente ou até fatalmente o corpo de um motociclista em caso de queda ou colisão, ressalta Antonio Marcondes, do comitê de Duas Rodas do Congresso SAE Brasil Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade.

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