“Cultura” é a causa de acidentes no trânsito

Fonte: AgoraVale

“O trânsito é uma negociação de espaços”, define o policial rodoviário federal Manuel Antônio de Almeida. A frase do policial ilustra o funcionamento do tráfego, aqui, na China, na Argentina e em qualquer outro lugar. Para que todos possam usufruir de seus espaços, criam-se limites de condutas, que no Brasil é regido por lei.

O atual Código Nacional de Trânsito sofreu mudanças gerais  no ano de 1997, mas de lá para cá, novos pontos de leis são alterados, como é o caso da Lei Seca, que entrou em vigor em maio de 2009. Apesar das tentativas do governo e dos departamentos de trânsito (o órgão máximo no país é o DENATRAN-Departamento Nacional de Trânsito) em melhorar as condições do tráfego, os índices de infrações e de acidentes ainda são altos no Brasil. Por quê?

“É uma questão cultural”, responde Luís Rosas, diretor do Deptran (Departamento de Trânsito de Pindamonhangaba).  Ele explica que desde que os automóveis começaram a circular no Brasil, no início do século XX, não houve uma preocupação quanto às condutas e punições aos motoristas: “Como estes não eram punidos severamente, criou-se no nosso país a ideia de que cada um pode agir como bem entender durante sua a  movimentação”, diz.

Motoristas de veículos automotores, pedestres e ciclistas são os principais participantes do trânsito listados pelas leis. Porém, estas não punem infrações cometidas por ciclistas e pedestres, que desta forma, não seguem à risca o que determina o Código Nacional de Trânsito. Atitudes simples  como a de trafegar na “mão” certa (no caso dos ciclistas) e de atravessar a rua na faixa (caso dos pedestres),  quando realizadas podem evitar  acidentes.

“O pai dá a bola e a bicicleta ao filho, mas ensina a ele apenas às normas do futebol”, queixa-se Rosas.

Para o diretor do Deptran, “a população ainda não está preparada para o código [de trânsito brasileiro]”. Rosas acha que se a fiscalização tornar-se mais rigorosa, talvez em um futuro distante pode-se mudar a atual “cultura de trânsito” no Brasil. Ele comenta:

“Hoje, o carro é como uma armadura para o motorista. Ele, como o seu dono, sente-se seguro lá dentro e pensa que pode fazer ali e no espaço em que lhe é destinado ao trânsito, o que quiser”.

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One Comment em ““Cultura” é a causa de acidentes no trânsito”

  1. TGSilva Says:

    A “cultura” está sempre em modificações constantes (Laraia, Stuart Wall, Demo) dentre outros. No Brasil, especificamente, tenta-se justificar os desmandos e os desiquilíbrios sociais direcionando para o lado cultural do sujeito, como se o próprio indivíduo não construísse, ao longo de vida, sua subjetividade.
    O CTB elenca uma série de punições aos motoristas infratores. Falta a educação para o trânsito. A fiscalização dentro da perspectiva de se coibir os absurdos. A valorização dos profissionais que lidam com a atividade do trânsito.
    Portanto, não é um problema simplório que seja “cultural” mas, o correto enfrentamento para cada aspecto que envolve o trânsito.


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