Transporte sem transparência

Por Valmir Lima*, em Blogs D24AM

Enquanto a população espera uma solução para o grave problema do transporte coletivo de Manaus, o governo do Estado e Prefeitura de Manaus travam uma disputa, que começa a sair dos bastidores e ganhar publicidade, sobre quem vai ficar com a galinha dos ovos de ouro, ou seja, quem vai gerir o transporte depois dos investimentos bilionários que serão feitos até a Copa de 2014.

Da parte do governo, já foi anunciada e aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado a proposta de se criar uma empresa de economia mista para gerir o transporte na região metropolitana de Manaus. Do lado da Prefeitura, o prefeito Amazonino Mendes tem andado por Brasília em busca de apoio e recursos para também criar uma empresa pública para o transporte coletivo de Manaus.

Amazonino, desde que o governo tornou pública a intenção de criar a tal companhia metropolitana de transporte, passou a criticar o projeto do Estado de construção do monotrilho. Não sem razão, é preciso que se diga, mas as intenções por trás das críticas não são o bem comum de uma população carente de transporte de massas. Paralelo à crítica, o prefeito passou a vender a ideia de que uma empresa pública municipal seria a solução para o caos que se instalou em Manaus há pelo menos 25 anos.

A briga nos remete a uma questão de fundo: se a Prefeitura quer estatizar o serviço de transporte, ou tem informações de que o negócio é lucrativo, ao contrário do que dizem os empresários de ônibus, ou as empresas estão mesmo falidas e a solução viria para salvar os empresários.

No governo, a situação é ainda mais preocupante: criar uma empresa mista significaria entregar os lucros do transporte à iniciativa privada, a exemplo do que o governo, ainda na gestão de Amazonino Mendes, fez com o gás de Urucu. Até hoje o negócio com o gás se mantém nos escombros, sob a suspeita de que gente bem conhecida tem parte nas empresas que vão lucrar com a sua comercialização (83% do lucro da Cigás vão para a iniciativa privada).

Como tudo está sendo feito sem discussão – A Assembleia Legislativa aprovou a proposta enviada por Eduardo Braga antes da desincompatibilização sem debate e o projeto da Prefeitura está concentrado no prefeito – a prometida solução pode se transformar numa nova decepção, como ocorreu com o Expresso. O problema é que naquele projeto foram gastos R$ 200 milhões e, agora, o monotrilho e o BRT estão orçados em R$ 2 bilhões. É muito dinheiro para o contribuinte pagar.

*Jornalista, com mestrado em Sociedade e Cultura na Amazônia (Ufam)

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