À beira de um ataque de nervos

Estresse em linhas de ônibus / Foto: Álisson Castro

Lúcio Pinheiro
Especial para A CRÍTICA

A cada mês, aproximadamente 5 mil pessoas são atendidas no Centro Psiquiátrico Eduardo Ribeiro (CPER). Só que a partir de 2005, começou a chamar a atenção de profissionais daquela unidade a quantidade de motoristas de ônibus e cobradoras entre os portadores de transtorno mental. Apesar da ausência de estatísticas que confirmem a crescente demanda por tratamento psiquiátrico entre esses trabalhadores, atualmente realiza-se um trabalho voltado, exclusivamente, para os rodoviários que chegam àquela instituição com severos sintomas de sofrimento psíquico.

A psicóloga Rosângela Aufiero diz que em determinados momentos da vida uma categoria de trabalhador entra em sofrimento psíquico. “Isso é observado no momento em que essa categoria é mais cobrada pela sociedade”, explica. No caso dos motoristas e cobradoras, as condições de trabalho e a dinâmica de cada uma das funções tornam esses trabalhadores vulneráveis a distúrbios mentais, defende Rosângela. “Essas pessoas sofrem diariamente com extensas jornadas de trabalho, trânsito caótico, assaltos e até violência sexual.”

Atualmente, 32 trabalhadores vão, periodicamente, ao ambulatório do CPER. Divididos em dois grupos (motoristas e
cobradores), expõem seus problemas aos colegas de tratamento. A metodologia usada nos encontros é conhecida como “Grupo de Escuta”. Segundo Rosângela, a ideia é fazer com que os pacientes consigam superar ou minimizar os sintomas à medida que falam sobre a dinâmica de suas atividades que contribuíram para o quadro de instabilidade psíquica. Os 20
motoristas se reúnem a cada 15 dias, e as 12 cobradoras, uma vez por semana.

As psicólogas que trabalham com os rodoviários tentam descobrir os fatores que fazem com que os sintomas de sofrimento psíquico se manifestem mais nas mulheres que exercem a função de cobradora, e entre os motoristas do sexo masculino. O Sindicato dos Rodoviários (Sinetram) não tem dados sobre o número de afastados do trabalho por causa de doenças mentais. Mas a assessoria da instituição estima que se aproxime de 50. O sindicato acusa as empresas de não permitir o acesso da categoria ao documento que detalha os diagnósticos dos profissionais afastados de suas funções.

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