Terceirizado e caro

Monica Prestes
especial para A CRÍTICA

Manaus tem 193 agentes de trânsito que custam aos cofres da Prefeitura em torno de R$ 160 mil por mês, ou seja, uma média de R$ 8,50 por hora. Isso é menos de 40% do efetivo recomendado pelo Departamento Nacional  de Trânsito (Denatran) para cidades com frota de quase 500 mil veículos, que é de 500 agentes.

Agora, a prefeitura está estudando a contratação de outros 20 “orientadores de trânsito”, por meio da empresa Consladel, por R$ 31,20 a hora, quase quatro vezes mais do que paga aos azuizinhos. Essa verba seria o suficiente para contratar mais de 300 agentes de trânsito a R$ 8,50 por hora, como o Instituto Municipal de Trânsito e Transportes (IMTT) vem fazendo desde 2004, ano do último reajuste da categoria, lembrou o presidente do Sindicato dos Agentes de Trânsito (Sindtran), Sandro Moacir.

“Esse absurdo me faz sentir desprestigiado como profissional e até abandonado depois de 11 anos de trabalho. Com essa verba, dava para acabar com o déficit de agentes, fazer capacitações e organizar, enfim, o trânsito da cidade, de forma planejada”, criticou.

Os valores constam na planilha orçamentária apresentada à prefeitura no segundo semestre de 2009 pela empresa Consladel, vencedora da licitação concluída em janeiro para a prestação de serviços de segurança, manutenção, conservação e apoio à engenharia de trânsito do sistema viário de Manaus.

Na planilha, cujos valores deram a vitória na licitação à empresa paulista, a Consladel oferece à prefeitura, pelo valor de R$ 2.695.680,00, a contratação dos 20 “orientadores de trânsito”. No total, a contratação de todo o “pessoal” de Operação de Trânsito custará mais de R$ 3,9 milhões mensais, divididos em R$ R$ 235 mil para o pagamento de um engenheiro supervisor e R$ 1 milhão para cinco supervisores de campo, além dos orientadores. Nem a prefeitura nem a Consladel explicaram por qual período de tempo esses valores se referem.

“Enquanto isso, continuamos há seis anos sem reajuste e com as mesmas condições de trabalho de 2004, nenhuma melhoria. A cada mês, dois a três agentes deixam a profissão, desacreditados”, lamentou Moacir.

Segundo ele, muitos agentes, descrentes em melhorias nas condições de trabalho ou reajustes, têm se inscrito em concursos públicos. No último  da Policia Civil, 20 agentes aprovados aguardam a convocação para assumir o novo cargo e deixar o IMTT.

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One Comment em “Terceirizado e caro”

  1. T.G. Silva Says:

    Além da defasagem salarial, da falta de valorização profissional, do reconhecimento pessoal, da falta de condições imprescindíveis para desenvolver a atividade de fiscalização e operacionalização do trânsito em nossa cidade, percebo que falta, em nós agentes, a perspectiva de pensarmos como CATEGORIA, e não nos acanharmos diante dessas opressões, utilizando o senso crítico, vislumbrando a colaboração com a sociedade na esperança de mudanças qualitativas no trato da coisa pública, objetivando a plena cidadania, amparada pelo estado de direito que caracteriza a democracia.


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